O Angels help me

Postado em Tragédias em Sexta-Feira, 7 Agosto, 2009 por FernandoP

O Angels help me
O Angels
For I cannot walk nor speak

O Angels help me
O Angels
Play your horns for me

O Angels help me
O Angels
For I cannot see nor breath

O Angels help me
O Angels
Sing your songs and set me free

.

Sing them together
Play your harps
Play your horns
I ask ya

Please help
O Angels
I see no future
I see no present

Play one two three four horns together
Play all the harps you have
Sing and rise me
Angels
For I cannot no more

.

O Angels help me
O Angels
The skies are heavy on me

O Angels help me
O Angels
Your brother is not your brother
Not me

O Angels help me
O Angels
Allow me a place by your sides

O Angels help me
O Angels
For I cannot breath

Just the way you are

Postado em Tragédias em Terça-feira, 7 Julho, 2009 por FernandoP

Um fungo. Um fungo. Era assim que imaginava aquela coisa que crescia dentro dele. Um fungo que não era exatamente verde, não era exatamente branco, talvez fosse incolor. Mas com certeza, definitivamente, era um fungo. Um fungo daqueles que comem a pele e as unhas, expondo as carnes vermelhas e deixando-as doloridas, com cheiros de podre. Sem dúvida era um fungo. Pensava nisso enquanto servia mais gim, sentado no chão de sua sala, o carpete já molhado.

Nesse exato momento estava crescendo, se alimentando — o fungo. Como se fosse consciente, escolhia para onde ir, por onde percorrer até chegar ao final. Final. Acreditava, na época, que aquele fungo só acabaria depois que o seu hospedeiro — ele — minguasse até os ossos. Se bem que era um fungo poderoso, de alguma espécie até então desconhecida, um fungo que o devoraria até os ossos. Até os cabelos. Até os esmaltes dos dentes. Consumiria todo o gim bebido (e toda a nicotina ingerida).

Se bem que, na época, os esmaltes dos dentes (assim como as unhas) estavam precários. Quebradiços. Esfarelavam-se ao encontro de comida de verdade. Não sabia, mas talvez tenha sido pelos buracos nos dentes que o tal fungo tenha entrado no seu corpo. Sentia os pulsos doerem, e as costas craquelarem na banheira. Sentia dores, especialmente na garganta e na volta dos olhos.

Sentia-se ser consumido, virando pó por dentro (o fungo também lhe tirava o sono e a fome, e o descanso e a vontade de ver coisas bonitas). Sentia-se acabando. Até que se apaixonou por outra coisa.

Ninguém

Postado em Tragédias em Quarta-feira, 6 Maio, 2009 por FernandoP


- E então, doutor, conte-nos mais sobre ele.
- Pois não… Minha tese foi inteiramente dedicada a este espécime. Ele, inclusive, é daqui.
- Oh! Pode nos contar de qual região? Sua cidade de origem?
- Mas é claro. Não corremos risco algum de outros pesquisadores se interessarem por sua história… ele era do sudeste.
- Que interessante…
- Não muito, na verdade. Sua vida foi bastante tediosa.
- Sim?
- Encontrei uma série de documentos numa casa abandonada. A casa desabou há aproximadamente 60 anos e ninguém ousou lá entrar.
- Por medo de alguma maldição? Pois a família era temida na região?
- Não… simplesmente não tinham vontade para tanto. Como disse antes, ele era um sujeito pouco interessante.
- Conte-nos mais sobre os documentos que o senhor encontrou, doutor. Estamos curiosos.
- Então: identifiquei uma série de diários, de diversas épocas da vida do mesmo sujeito. Ainda encontrei extratos bancários, exames médicos, radiografias, papeladas de trabalho… até mesmo consegui definir seus hobbies e interesses.
- E quais eram?
- A jardinagem!
- Oh!
- Exato. Foi exatamente esta a reação que tivemos — eu e meus colegas na Universidade. O homem era quase ninguém.
- Mas e nada foi encontrado em suas fichas trabalhistas? E nos prontuários?
- Deixe me pensar…. Ah, sim. No capítulo 6 descrevo suas características físicas e psiquícas. Deixe-me encontrar…
- …
- Sim: “O sujeito era saudável. Em seus diários há descrições minuciosas de suas visitas ao médico (não sofria de sintomas, e tampouco de doenças). Calçava 45 e seus intestinos eram regulares.”
- De fazer inveja a muita gente, não é, pessoal?
- Enfim. Talvez o mais impressionante seja simplesmente que ele tenha deixado tanta documentação desimportante.
- Sua tese baseou-se nesta perspectiva, doutor?
- Não exatamente. Convenci-me de que o importante era tratar do sujeito em si, daquele ninguém.
- Hm…. E o que mais o senhor descobriu?
- Ele gostava de jardinagem — como comentei anteriormente –, também tinha um certo interesse pela ida do homem à lua… Fora casado, tivera filhos… inclusive amou.
- E foi correspondido?
- Não, não foi.
- Que pena, não é minha gente? Enfim. Já passamos — e muito — do horário, infelizmente. Obrigada por esta conversa tão agradabilíssima, doutor. E finalizamos aqui o nosso programa, com a participação do Professor Doutor hemérito da Universidade de ….