Arquivo para Maio, 2008

Rio de Janeiro

Postado em Terceiros em Sexta-Feira, 23 Maio, 2008 por FernandoP

Oh nein, ich glaube, ich kann nicht mehr
ohne ein Zeichen von dir ist mein Leben grau und leer.
Als du noch hier warst, war ich mir sicher, ich bin nicht mehr in dich verliebt,
aber das war falsch wie der 1. und der 2. Golfkrieg.

Ich wollte dir schreiben, ich hab kein Papier gefunden.
Ich wollte dich anrufen, aber es war falsch verbunden.
Heute morgen war ich sogar schon in Schönefeld.
Aber Vierhundert Euro one-way sind zuviel Geld.

Sieben, acht, neun, zehn Jahre für nichts.
Du bist so weit weg und ich bewege mich nicht.
Rio de Janeiro ist kein Ort für mich.
Aber glaube mir, vertraue mir, denk nicht ich denk nicht an dich.

Wir waren zusammen wie die Blätter an einem Baum.
Ich bin hängen geblieben, du mit dem Wind abgehauen.
Als ich mit dir war, habe ich mir Türen und Wege offen gehalten.
Dahinter lag nur ein Parkplatz und da warte ich bis ich alt bin.

Da bist so weit weg in einer anderen Welt.
Du bist nicht mehr dieselbe, aber endlich du selbst.
Rio de Janeiro ist kein Ort für mich.
Aber glaube mir, vertraue mir, denk nicht ich denk nicht an dich.

Ich wollte dir schreiben, ich hab kein Papier gefunden.
Ich wollte dich anrufen, es war falsch verbunden.
Heute morgen bin ich sogar schon nach Tegel gefahren.
Es gab eine Bombendrohung dort und ausser mir war niemand da.
(Ich bin so allein, so allein)

Tele. Rio de Janeiro. In: ____. Wir brauchen nichts. Universal Music, 2007.

Merda

Postado em Tragédias em Sábado, 17 Maio, 2008 por FernandoP

Aconteceu num dia qualquer, sem maiores avisos. Aconteceu num dia após quase engolir o mundo.

Explodiu no meio de sua própria sala, espalhando pele, bosta e gordura por todo o lugar — a polícia até encontrou uma pilha de relógio oxidada. Era impressionante a quantidade de coisas que aquele vazio continha em seu interior.

Teve um velório de caixão fechado — os outros não precisavam ver no que ele havia se tornado.

Rua vazia

Postado em Tragédias em Quinta-feira, 8 Maio, 2008 por FernandoP

Era fim de tarde e todos já haviam se recolhido para dentro de casa. Apenas os dois continuavam do lado de fora, ignorando as cuidadosas pragas maternas, que previam tosses tuberculosas.

De pés descalços, era bem provável que isso ocorresse, especialmente agora que o inverno se aproximava e a rua esvaziava-se cada vez mais cedo, talvez por acompanhar o sol, que também se retirava cada vez mais cedo. Não se importavam mesmo, pois eram crianças, e eram inconseqüentes. Continuavam a jogar bola na calçada, por insistência também materna, que afirmava, cuidadosa, que eles seriam atropelados caso brincassem perto de onde os carros passam.

Talvez fossem irmãos, mas tal tipo de coisa não era percebível assim de fora, assim de longe. Tratavam-se como irmãos, como meninos amigos e sem preocupações que eram. Eram pequenos também, talvez precisassem de irmãos e talvez o fossem. Passavam as tardes fazendo artes e jogando futebol na rua, de pés descalços com a velha bola meio murcha.

Não conheciam o tétano, nem os 40° de febre. Também não entendiam por que raios caiam do céu quando ele ficava preto. Não esperavam por tal tipo de coisa porque eram crianças. Provavelmente se soubessem, esconderiam-se sob o telhado, como todos os outros. Provavelmente se soubessem o que os esperava, nunca quereriam crescer.

O de calção vermelho, por exemplo, não passaria dos trinta. O outro, ficaria bem velho. Teria uma vida mansa, sem grandes preocupações ou grandes escolhas, e talvez por isso mesmo se arrependeria e perceberia que sua vida havia sido um desperdício.

Tentando resistir para provocar a mãe, e não conseguindo, pois temiam, entraram em casa, roubaram cada um uma polenta das muitas que esfriavam sobre a mesa e correram para os fundo, para brincar mais. Brincavam de bandido e ladrão. Corriam, gritavam e encomodavam todos os da casa que viam a novela.

Por serem crianças não se preocupavam com o fim que teriam. Um se viciaria primeiro em mulheres, depois em jogo, e, então, por conseqüência, em bebida. Beberia todas as noites, depois de esvaziar os bolsos nas cartas, para, então, bater em sua mulher. Ela, que não era boba (mas só um pouco, pois só decidira ir embora depois de ter um braço quebrado), iria embora e o trocaria por um homem pior ainda.

O outro teria tudo para ser feliz, mas não o seria. Envelheceria com filhos e alguns netos. Sua dedicada esposa morreria primeiro. Capaz, mesmo, de os filhos enviarem-no para uma casa de repouso. Ficaria solitário e quereria morrer a cada noite.

Os garotos, agora, decidiam voltar para a rua. Parecia que o céu estava mais bonito na frente da casa — os fundos estavam nublados. O céu vermelho de poluição no longe era mais bonito e atraente. Brincariam até cansar. Até a hora de dormir. E sonhariam.