Não creias, Lídia…
Não creias, Lídia, que nenhum estio
Por nós perdido possa regressar
Oferecendo a flor
Que adiámos colher.
Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
Não existe piedade
Para aquele que hesita.
Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não-vivido deixa.
Não creias na demora em que te medes.
Jamais se detém Kronos cujo passo
Vai sempre mais à frente
Do que o teu próprio passo
-
Sophia de Mello Breyner
(Homenagem a Ricardo Reis, 1972)
Retirado da internet.
Domingo, 10 Agosto, 2008 às 3:54 pm
A flor que és, não a que dás, eu quero!