Alemão de costas largas e pêlos no rosto, foi paixão à primeira vista. No bar, apenas abrindo a geladeira para alcançar cervejas baratas e, às vezes, roubando um pouco dos muito bêbados, se aproximaram. Com tato, conversaram amenamente:
- Me dá uma cerveja.
(só pode menear com a cabeça afirmativamente diante de tamanha masculinidade).
Paixão à primeira vista.
As luzes derreteram na mesma velocidade em que os joelhos balançaram, no outro dia iria espalhar para todos à sua volta sobre quem havia conhecido (e todos seus atributos). Pele branca-morta, olhos azul-imensidão, boca vermelha-paixão. E barba. Uma barba grossa, amarroada, como se estivesse suja, provavelmente com cheiro de cigarro. Os bigodes se acavalavam sobre os lábios, como se fossem escudo. Escuros, sobre o lábio vermelho-vivo. Se tivesse se aproximado, pulado o balcão e transposto os grandes braços roliços talvez pudesse chegar próximo o suficiente para cheirar os pêlos. Se tivesse.
Nunca mais veria homens com barba do mesmo modo. Sempre procuraria por aquela pele fina e pálida por baixo de qualquer tipo de pêlo. Parecia que Bart era o nome dele, disseram, por entre barulho.
Depois lá dá sétima cerveja (era um cavalo), ele foi embora. Pra sempre.
Nunca mais viu homens do mesmo jeito, especialmente os de barba. E os grandes. E os pálidos. E os de olhos claros. Morreu, por dentro e por fora.
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Editado pela última vez em 05 de novembro de 2007.
